Eduardo, mãos de tesoura
Mora num castelo
No alto de um rochedo
Onde as ameias , torres e muralhas
São disfarces do seu medo.
Foi-se isolando do mundo
Pouco a pouco e de tudo
O que o rodeava
Pedra após pedra
Lágrima após lágrima…
No fosso em volta do castelo
Não há crocodilos nem monstros típicos
Só a água que veio das suas choradas lágrimas
De momento ,
Não há assaltos ao castelo ,
Nada a temer ,
Mas só o ataque em pensamento
Já o faz estremecer .
Toda a vida fugiu do mundo
Sem nunca se aperceber
Do quanto é belo , um pôr do sol
Um grito fundo.
Talvez , quem sabe ,
Tenha ganho batalhas imaginadas
Muitos banquetes sonhados ,
Muitos amores utópicos ,
Mas o que realizou
De certeza
Foi o prazer da conquista
Da realidade e da saudade
De um tempo esquecido no espaço…
MireneReis - 2000


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