Comboio da vida
Parte da estação pela primeira vez
Cheio de força , orgulho talvez
Tem um horizonte á sua frente
E uma grande alegria na mente.
Faz a sua primeira paragem
Antes de seguir de novo viagem ,
Entra um bebé pequeno e frágil,
Ensina-o a falar , ensina-o a ser ágil.
Faz a sua segunda paragem,
Apita contente e faz travagem,
Entra um garoto já bem mais crescido
Ensina-o a ser homem , a não ser ferido,
E segue de novo viagem.
Pára de novo , noutra estação
Distante , confusa e inconsciente
Entra um adolescente.
Foi-se embora ,triste e frustrado
Com pena do pobre coitado,
Se não lhe ligasse seria infeliz
Se não o ouvisse apanharia no nariz.
E pára noutra estação.
Entram dois jovens , um ledo ,outro triste
Fala com eles e exclama para o triste:
-"Porque não me ouviste?"
O triste chorava , tomava drogas fatais,
Tentou desistir mas era tarde demais,
Perdeu o controlo da situação
E desceu na próxima estação.
Entra um adulto feliz e casado
Ensina-o a ser honesto e controlado,
Explica-lhe que alguém
Precisa de ser cuidado
Diz-lhe que agora a vida é um fardo,
E trava de novo , noutra estação:
Uma estação vivida e desgastada
Uma estação vazia , pouco frequentada,
Abre a porta e entra a custo
Um pobre velhote cansado e justo.
Nada lhe tem a ensinar
Nada a explicar
Só lhe tem a dizer
Que soube bem viver ,
Que cumpriu os objectivos a que estava destinado
Por isso está velho e cansado.
Sentou-se no banco e aconchegou-o bem
E seguiu de novo viagem ,
A mais longa viagem…
Pela janela o velhinho via
Uma terra que algo lhe dizia
Uma terra de experiências , recordações
Tristezas , alegrias e ilusões
Sucessos , fracassos ,preocupações
Ódios , paixões, indiferenças
Pazes , brigas e desavenças.
Tudo ficou resolvido , tudo consumado
E o comboio tinha já parado,
O velhinho saiu , foi dada a partida ,
É este o comboio da vida. MireneReis -1996


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